terça-feira, 28 de agosto de 2012

Waiting On The Sun




"Estou indo pra nenhum lugar
E estou tentando conseguir minha vez
Todas as questões no mundo
Eu posso deixar em minha cabeça
Estou esperando na luz do sol
A luz do sol

Estou esperando respostas
Estou esperando pra ter esperanças
Eu tropeço sobre minhas possibilidades
Eu me escondo através da minha dúvida

Bem, parece que minha fraqueza
Às vezes é minha única força
E em minhas falhas
Você tomou seu próprio caminho

Estarei por perto
E acharei meu caminho de volta
Não se pode cantar o som
Do sol"

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Mad World


Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho dentro de um sonho.



Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia dourada segura
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho dentro de um sonho?


(Edgar Allan Poe)

terça-feira, 31 de julho de 2012

Para atravessar agosto...


Para atravessar agosto é preciso, antes de tudo, paciência e fé. Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro – e também certa não-fé, para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah! Escrever tanto de tanto de mil novecentos e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.
 Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições. Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos de chanchadas da Atlântida a Bergman; muitos CDs, de Mozart a Sula Miranda; muitos livros, de Nietzche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente, que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos. Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem toma trem de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos – ou precauções-úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de Fernando Henrique Cardoso em foto ou vídeo, sobretudo se estiver se pavoneando com um daqueles chapéus de desfile a fantasia categoria originalidade…Esquecê-lo tão completamente quanto possível (santo ZAP): FHC agrava agosto, e isso é tão grave que vou mudar de assunto já.
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu – sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques – tudo isso ajuda a atravessar agosto. Controlar o excesso de informações para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer o Zaire, a ex-Iugoslávia, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, ikebana, a arte das bandejas de asas de borboletas – coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo, evasão, escapismos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter de mais no tema. Mudar de assunto, digitar rápido o ponto final, sinto muito perdoe o mau jeito, assim, veja, bruto e seco.

Caio Fernando Abreu (6/8/1995 – para o jornal o estado de são paulo)

sábado, 28 de julho de 2012

Por que nós?


"Éramos célebres líricos
Éramos sãos
Lúcidos céticos
Cínicos não
Músicos práticos
Só de canção
Nada didáticos
Nem na intenção
Tímidos típicos
Sem solução
Davam-nos rótulos
Todos em vão
Éramos únicos
Na geração
Éramos nós dessa vez
Tínhamos dúvidas clássicas
Muita aflição
Críticas lógicas
Ácidas não
Pérolas ótimas
Cartas na mão
Eram recados
Pra toda a nação
Éramos súditos
Da rebelião
Símbolos plácidos
Cândidos não
Ídolos mínimos
Múltipla ação
Sempre tem gente pra chamar de nós
Sejam milhares, centenas ou dois
Ficam no tempo os torneios da voz
Não foi só ontem, é hoje e depois
São momentos lá dentro de nós
São outros ventos que vêm do pulmão
E ganham cores na altura da voz
E os que viverem verão
Fomos serenos num mundo veloz
Nunca entendemos então por que nós
Só mais ou menos"

(Marcelo Jeneci)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Volver


Algo me incomoda ultimamente. Não, não sei dizer o que é. Sinto uma estranha familiaridade racional com tudo isso. Se já estive nesse ponto outras vezes!? Sim, acho que sim. Provavelmente um daqueles insights psicológicos que custam a se desfazer.
Acho que a chave da questão é onde estive antes de agora.

Isso me soa familiar, aliás, acho que faz lembrar todo aquele discurso sobre "enantiodromia" http://pt.wikipedia.org/wiki/Enantiodromia, que vivo me queixando e debatendo com o Luiz Filipi http://tornbystars.blogspot.com.br/, e que, recorentemente me encontro.
Não sei se trata-se de ter ido a lugares tão "sombrios" da minha mente, que me faz agora achar tudo tão "aceitável" e "simples", e tudo bem, deve ser um daqueles momentos "no drama", que invariavelmente se converterão em sentimentalismo tolo.
Sinceramente!? Estou me cansando disso. Consigo prever cada movimento que ocorrerá comigo e com os que me cercam neste momento. Cada acerto, cada erro, cada sentimento...
Como se fosse sempre o mesmo teatro, cada vez com atores diferentes.
E ai, meio que vai ficando mecânico, e, talvez mais racional (Sempre achei que isso fosse uma coisa boa, agora já não tenho tanta certeza).

Confesso que com essa "antevisão" das coisas, dá pra modificar algumas cenas, fazer diferente, mas, irremediavelmente alguns atos acabam do mesmo modo. Quase como um "destino fatalístico".
Só espero que essa peça fique em cartaz por mais tempo, e que, eu não morra no final (Pelo menos não de modos tão terríveis como em outras ocasiões).
E, só pra variar esse pensamento me conduz a um link que também fiz algumas outras vezes (Sou tão previsível)...

Como a CigarraTantas vezes me mataramTantas vezes morriEntretanto estou aquiRessuscitandoGraças dou à desgraçaE à mão com punhalPorque me matou tão malE segui cantando
Cantando ao solComo a cigarraDepois de um anoDebaixo da terraIgual sobreviventeQue volta da guerra
Tantas vezes me apagaramTantas desapareciA meu próprio enterro fuiSozinho e chorandoFiz um nó do lenço,Mas esqueci depoisQue não era a única vezE segui cantando
Cantando ao solComo a cigarraDepois de um anoDebaixo da terraIgual sobreviventeQue volta da guerra
Tantas vezes te mataramTantas ressuscitaráQuantas noites passaráDesesperandoE à hora do naufrágioE à da escuridãoAlguém te resgataráPara ir cantando
Cantando ao solComo a cigarraDepois de um anoDebaixo da terraIgual sobreviventeQue volta da guerra
(Mercedes Sosa)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Noutro Lugar



"Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um caminho"

(Caio Abreu)

Recordação (Rascunho de 2009)



O primeiro olhar, o primeiro sorriso, o primeiro andar de mãos dadas, o primeiro beijo. É o último. É como ter certeza que tudo aquilo que sentiu nos últimos quinze minutos nunca mais se repetirá, mesmo que a canção se repita. Mesmo que você volte atrás. É o coração, é a respiração. São todas aquelas lendas sobre acordar e descobrir que dormiu por 25 anos e a partir deste momento, todas as coisas serão novas, serão como um bom dia, uma boa noite. É como chegar cansada e ouvir a voz da pessoa que você escolheu pra estar sempre ali dizendo “querida, como foi o seu dia?”. É o sorrir, se descobrindo uma boba apaixonada, é roer as unhas de ansiedade. É o sim, o não também. É o primeiro fim e o próximo começo de tudo. É a última palavra. É ser a primeira a voltar atrás. É desejar o calor do sol, mas não abrir mão do frio. É um cobertor, um cachecol, um guarda chuva. Me faz gostar, me faz querer tudo de novo. Outra vez.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A gente cansa


A despeito do que poderiam os desavisados pensarem, amor e cansaço não são incompatíveis.

As pessoas cansam de amar, cansam mesmo. Cansam de amar no vácuo, no vazio, a contragosto, na marra, na mão única, com esforço, no amor à camiseta, cansam de amar quando amar é uma luta inglória, é uma sede saciada a conta-gotas.

As pessoas cansam de nos amar apesar de nos amarem muito, as pessoas cansam de nos amar quando o amor é à custa de teimosias, defeitos, desaforos, desatenções, estupidez, falhas de caráter, falta de tempo, descuidos, TPM, stress, chatice, drama, descaso, reclamações, egoísmo, omissões, negligências, grosserias, inaptidões, incapacidades, má administração, indiferença, cronograma insano, sacanagens, ingratidões, desídia, pouco caso, desconsideração, intolerância.

O amor suporta muito e não espera um escambo de atenção e sentimento, mas o amor tem ida e vinda, tem mão dupla, tem uma razão outra que não é puro altruísmo e desapego. Não pense que quanto mais o outro suporta, quanto mais o outro luta, maior é o seu amor. Isso é uma sabotagem imbecil de quem não se sente merecedor ou capaz de retribuir.

Pai dedicado cansa. Filho devoto cansa. Irmão parceiro cansa. Amigo de fé cansa. Até o grande amor cansa. As pessoas cansam e desamam e se perdem e vão embora e não voltam mais. Amor não é para sempre, não, não se engane. O que é para sempre é saudade.

E a gente fica triste e fica infeliz e fica miserável e fica com a vida besta e vazia depois que quem nos ama desiste, a gente fica com a vida oca, fica tudo preto e branco e a gente acha que tá bem, que vai ficar tudo bem e a gente se engana que supera, paciência, não era pra ser, não era forte o suficiente, não era verdadeiro o suficiente, mas não fica tudo bem, não supera coisa nenhuma, não era pra ser uma ova. Nananinanão, senhor.

Porque a gente também cansa da tristeza e do vazio, a gente também cansa da solidão e da miséria, a gente também cansa da infelicidade, mais cedo ou mais tarde, e aí ó, babaus, já cansaram de nós. Portanto, não ponha o amor à prova. Não se proponha a testar até onde ele suporta. Amor não é gincana, não é rali, não é prova de resistência. Amor é pra amar e cuidar muito bem. Já chega o fato de que tem todo o resto do mundo para criar problema, para dar trabalho, para dificultar as coisas. Lute por e não contra. Lute muito, lute bastante. Mereça o seu amor enquanto ele ainda é seu e ainda está aqui.

sexta-feira, 16 de julho de 2010


"Nada, depois que o vi pela primeira vez e ninguém que conheci depois me conseguiu assustar e confundir tanto.
Ninguém que já conheci me fez sentir tão segura e insegura, mais importante e mais insignificante..."

(Herman Raucher)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Broken Heart


Albert Camus uma vez escreveu:


"Abençoados os corações flexíveis, pois nunca serão partidos"


Mas eu penso comigo mesmo...
Se não se partiram, não se curaram.
E se não houver cura não há aprendizado
E se não houver aprendizado, não há luta.
Mas a luta é uma parte da vida.
Então todos os corações precisam ser partidos ?

domingo, 9 de maio de 2010

Nobody's Home


Eu não poderia te dizer por que ela se sentiu daquela maneira
Ela sentiu isso todos os dias
E eu não pude ajudá-la
Eu só a ví cometer os mesmos erros novamente

O que está errado, o que está errado agora?
Muitos, muitos problemas
Eu não sei de onde ela veio
De onde ela veio

Ela quer ir pra casa, mas ninguém está em casa
É onde ela se encontra, arrasada por dentro
Não há lugar pra ir, não há lugar pra ir
Secar suas lágrimas, arrasada por dentro

Abra os seus olhos
E olhe ao seu redor
Encontre as razões
Você foi rejeitada
E agora você não consegue encontrar
O que você deixou pra trás

Seja forte, seja forte agora
Muitos, muitos problemas
Eu não sei de onde ela veio
De onde ela veio

Seus sentimentos ela esconde
Seus sonhos ela não consegue encontrar
Ela está perdendo a cabeça
Ela foi deixada pra trás
Ela não consegue achar seu lugar
Ela está perdendo a sua fé
Ela caiu em desgraça
Ela está por todos os lados

Ela está perdida por dentro, perdida por dentro

sexta-feira, 5 de março de 2010

Vida Nova, Velhos Vícios


Vida nova, velhos vícios
A luz da selva, esconde
Os pontos claros das estrelas
A lua me responde

Na janela, vejo a imagem
Das brasas do cigarro
Que eu acendo enquanto penso
Na pureza de seus passos

Eu posso até fazer as coisas meio desligado
Mas mesmo assim eu ainda faço

Minutos preciosos
Em cinzeiro branco

De um mar qualquer, qualquer olhar
Ainda sinto o efeito do pisar
Das minhas palavras frias ao te amar

Chegamos ao ponto que nao voltamos mais
Com um beco em nossas vidas
Não me ame nunca mais
Nunca olhe para trás, nunca olhe para trás

(Supersonique)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Remar junto


"Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou (...). Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia (...). Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar."

Caio Abreu

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pareço contigo
Normal e do avesso
Vamos seguir o caminho seguro
Pra continuarmos assim no futuro

Pareço contigo
Sem mais nem porquê
Vamos seguir nossas pistas
Com toda a incerteza
Pra continuarmos felizes à mesa

Eu dou um valor absurdo na vida
Ela me traz bem mais que alegria
Traz alguém pro meu sozinho
Você às seis e trinta

Pareço contigo
De olhos fechados
Vamos seguir no escuro
Sonhando acordados
Pra nunca deixar nossa luz se apagar

A gente se parece tanto
A gente está só começando
A gente vai se conhecendo
E vê que ainda não sabe nada
A gente só quer ser feliz
Um mundo mais equilibrado
A gente esquece que o amor
É tudo e não nos cobra nada

Eu dou um valor absurdo na vida
Ela me traz bem mais que alegria
Traz alguém pro meu sozinho
Você às seis e trinta

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Não concluo nada

"Você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um diadestes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de pensar em você partir que me fez descobrir tantas coisas"

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O que eu odeio em você


Eu odeio todos os lábios que te beijaram antes de mim
Odeio todos os lençóis que tiveram o seu suor misturado com outros que não o meu
Odeio os sorrisos que outras te arrancaram
Odeio saber que você não foi somente meu a vida inteira
Odeio imaginar que você já amou alguém e que deveriam ter uma música só dos dois,
e mais um monte de outras coisinhas tolas de namorado
Odeio todas as mãos que se entrelaçaram às suas,
e todas as histórias de amor que você viveu das quais eu não era protagonista
Odeio todos os lugares que você frequentou com outras garotas,
e todos os perfumes que elas usavam
Eu sei que é besteira minha, que tudo é passado,
mas eu odeio mesmo assim.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias, cigarro no canto da boca, bem noir. Mas isso é filme, ele não. Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro."

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Quando te vi

"Daquela caverna sombria a qual observava tudo contra a luz
Via-te flutuar pelo salão principal, deslumbrante e belo.
Ignorando as luzes ofuscantes, via apenas seus olhos brilhando,
no escuro opaco, reluzente luas prateadas em noites de euforia
Seu sorriso derreteu satélites e coração gelado"

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Nascem jardins em minha face

Poderia falar de quando te vi pela primeira vez... sem jeito, de repente te vi assim, como se não fosse ver nunca mais e seria bom que eu não tivesse visto nunca mais, porque de repente vi outra vez e outra e outra, e enquanto eu te via nascia um jardim nas minhas faces. E eu que me resignei tanto, agora quase já não me importo de ser vulgar, não me importa o lugar-comum, dizer o que outros já disseram. Já não tenho mais nada a resguardar.

Adaptado de Caio Abreu.

sábado, 8 de agosto de 2009

Inteligência emocional


Um dos erros mais comuns quando se gosta de alguém é concentrarmo-nos demasiado nessa pessoa. Mas porque é que isso será um erro? Não será até desejável?

Tal como em tudo na vida, é necessário conta, peso e medida.
Quando nos concentramos demasiado numa pessoa descuramos aspectos importantes da nossa própria vida, pelo que a longo prazo deixamos de a viver.

Isso põe em perigo a própria relação por três razões:

1 – Sufocamos o outro.
Muitas pessoas são carentes e sufocam o outro com exigências em termos de amor, atenção e afeto. Isso é contraproducente porque se há coisas que não se podem sequer pedir (muito menos mendigar) é amor, atenção e afeto: acho que ninguém mentalmente são quer qualquer uma destas coisas se for obtida por coerção (por chorinho, chantagem emocional, etc…). Para terem valor estas coisas têm que ser cedidas naturalmente (sem esforço e com profundo prazer por parte de quem as oferece) e portanto, se não estamos satisfeitos com o montante de amor, atenção e afeto que recebemos, a única forma que temos de alterar essa situação é pela positiva, dando-nos (sem pensar em receber) e sendo dignos da relação ou contentando-nos com menos: se mesmo assim a coisa não resultar, então é porque a relação não tem pernas para andar ou porque queremos demais…
Aliás, quem é incapaz de entender isso e continua na sua senda de exigências a este nível, por muito amor que exista, acaba por provocar o fim da relação porque ninguém mentalmente equilibrado pode aceitar que a felicidade de alguém dependa inteiramente de si (é um fardo demasiado pesado) e, por outro lado, exigências constantes provam que a outra parte é fraca e a fraqueza é conhecida por ser uma poderosa inibidora do amor. Quem quer uma criança mimada e exigente como companheira?
Quantas mais exigências façamos mais destruimos o amor: amar é liberdade; desamor é opressão.
Mesmo sem exigências, temos que nos lembrar que a outra parte é um ser humano autônomo, com uma vida própria: deixemos pois suficiente espaço livre para que ela possa viver plenamente essa vida… para que quando venha ter connosco venha pelo prazer de estar conosco e não para cumprir uma "obrigação": acreditem-se que só assim vale a pena.
Tudo isto é também válido no que respeita à amizade.

2 – Tornâmo-nos desinteressantes
Mesmo que não sejamos carentes e portanto não façamos exigências em termos de amor, atenção e/ou afeto, se mesmo assim centrarmos demasiado a nossa vida na outra pessoa acabamos por ficar com uma vida vazia a muitos outros níveis. Ninguém pode colmatar todos os aspectos da nossa vida (embora a nossa "metade perdida" possa certamente colmatar muitos deles).
Como é que alguém poderá gostar de nós se a nossa vida for vazia e desinteressante? Como é que alguém poderá admirar alguém que não vive plenamente e não tenta tirar o melhor da vida e das suas potencialidades em cada ocasião? Como é que se pode amar sem se admirar intensamente a pessoa amada?
Temos o dever para connosco mesmos de viver o melhor que pudermos e soubermos.

3 – Acabamos por nos aborrecer
Se só vivemos em função da nossa “cara metade”, a longo prazo perdemos o entusiasmo, quer pelo vazio em que a nossa própria vida cai, quer porque a outra parte, por mais esforço que faça e mais interesse que tenha, nunca nos pode satisfazer todas as necessidades…
Temos que ser nós mesmos a encarregarmo-nos da nossa felicidade, não podemos depender exclusivamente de alguém, por muito digno que esse alguém seja. Todos nós temos o dever de ter vidas interessantes.
Repito que ninguém pode preencher por inteiro outra pessoa: a vida passa pelo amor entre duas pessoas especiais (e como passa) mas não se esgota de maneira nenhuma nesse amor. Acreditar que sim é destruir o próprio amor, por mais forte que ele seja.


Mas tudo isto leva-nos a outro problema bastante comum (o primeiro problema é pecar por excesso; o segundo é pecar por defeito): há muitas pessoas que põem a sua relação atrás de tudo na vida (ou pelo menos atrás de demasiadas coisas). Não nos iludamos: o verdadeiro amor (tal como a verdadeira amizade) tem que ocupar um lugar de grande destaque nas nossas vidas; não podemos de maneira nenhuma relegá-lo para um lugar secundário.
De fato, uma relação verdadeira de amor (ou amizade) entre duas pessoas especiais precisa de um grande e contínuo investimento, em termos de atenção, sentimento, companheirismo, interesse, diálogo, empatia, cumplicidade, sexo, atividades em comum, furar a rotina, desabafo, entreajuda, presença, preocupação, sedução, carinho, etc... Quando não há esse investimento ou esse investimento é insuficiente, o amor morre à sede…


Concluindo e resumindo, o amor não é tudo na vida mas é algo de extremamente importante.
Quem tem a sorte de o ter, se o quer manter, tem que encontrar o justo equilíbrio: deixar que o amor se torne a única coisa da nossa vida é pecar por excesso; deixar que o amor seja a última das nossas prioridades atrás de carreira, amigos, hobbies, etc. ou não tenha o seu lugar de grande destaque na nossa vida é pecar por defeito.
Qualquer uma destas posturas extremas são fatais para qualquer amor. A verdade reside no caminho do meio: in medio stat virtus.