sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pareço contigo
Normal e do avesso
Vamos seguir o caminho seguro
Pra continuarmos assim no futuro

Pareço contigo
Sem mais nem porquê
Vamos seguir nossas pistas
Com toda a incerteza
Pra continuarmos felizes à mesa

Eu dou um valor absurdo na vida
Ela me traz bem mais que alegria
Traz alguém pro meu sozinho
Você às seis e trinta

Pareço contigo
De olhos fechados
Vamos seguir no escuro
Sonhando acordados
Pra nunca deixar nossa luz se apagar

A gente se parece tanto
A gente está só começando
A gente vai se conhecendo
E vê que ainda não sabe nada
A gente só quer ser feliz
Um mundo mais equilibrado
A gente esquece que o amor
É tudo e não nos cobra nada

Eu dou um valor absurdo na vida
Ela me traz bem mais que alegria
Traz alguém pro meu sozinho
Você às seis e trinta

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Não concluo nada

"Você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um diadestes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de pensar em você partir que me fez descobrir tantas coisas"

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O que eu odeio em você


Eu odeio todos os lábios que te beijaram antes de mim
Odeio todos os lençóis que tiveram o seu suor misturado com outros que não o meu
Odeio os sorrisos que outras te arrancaram
Odeio saber que você não foi somente meu a vida inteira
Odeio imaginar que você já amou alguém e que deveriam ter uma música só dos dois,
e mais um monte de outras coisinhas tolas de namorado
Odeio todas as mãos que se entrelaçaram às suas,
e todas as histórias de amor que você viveu das quais eu não era protagonista
Odeio todos os lugares que você frequentou com outras garotas,
e todos os perfumes que elas usavam
Eu sei que é besteira minha, que tudo é passado,
mas eu odeio mesmo assim.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias, cigarro no canto da boca, bem noir. Mas isso é filme, ele não. Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro."

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Quando te vi

"Daquela caverna sombria a qual observava tudo contra a luz
Via-te flutuar pelo salão principal, deslumbrante e belo.
Ignorando as luzes ofuscantes, via apenas seus olhos brilhando,
no escuro opaco, reluzente luas prateadas em noites de euforia
Seu sorriso derreteu satélites e coração gelado"

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Nascem jardins em minha face

Poderia falar de quando te vi pela primeira vez... sem jeito, de repente te vi assim, como se não fosse ver nunca mais e seria bom que eu não tivesse visto nunca mais, porque de repente vi outra vez e outra e outra, e enquanto eu te via nascia um jardim nas minhas faces. E eu que me resignei tanto, agora quase já não me importo de ser vulgar, não me importa o lugar-comum, dizer o que outros já disseram. Já não tenho mais nada a resguardar.

Adaptado de Caio Abreu.

sábado, 8 de agosto de 2009

Inteligência emocional


Um dos erros mais comuns quando se gosta de alguém é concentrarmo-nos demasiado nessa pessoa. Mas porque é que isso será um erro? Não será até desejável?

Tal como em tudo na vida, é necessário conta, peso e medida.
Quando nos concentramos demasiado numa pessoa descuramos aspectos importantes da nossa própria vida, pelo que a longo prazo deixamos de a viver.

Isso põe em perigo a própria relação por três razões:

1 – Sufocamos o outro.
Muitas pessoas são carentes e sufocam o outro com exigências em termos de amor, atenção e afeto. Isso é contraproducente porque se há coisas que não se podem sequer pedir (muito menos mendigar) é amor, atenção e afeto: acho que ninguém mentalmente são quer qualquer uma destas coisas se for obtida por coerção (por chorinho, chantagem emocional, etc…). Para terem valor estas coisas têm que ser cedidas naturalmente (sem esforço e com profundo prazer por parte de quem as oferece) e portanto, se não estamos satisfeitos com o montante de amor, atenção e afeto que recebemos, a única forma que temos de alterar essa situação é pela positiva, dando-nos (sem pensar em receber) e sendo dignos da relação ou contentando-nos com menos: se mesmo assim a coisa não resultar, então é porque a relação não tem pernas para andar ou porque queremos demais…
Aliás, quem é incapaz de entender isso e continua na sua senda de exigências a este nível, por muito amor que exista, acaba por provocar o fim da relação porque ninguém mentalmente equilibrado pode aceitar que a felicidade de alguém dependa inteiramente de si (é um fardo demasiado pesado) e, por outro lado, exigências constantes provam que a outra parte é fraca e a fraqueza é conhecida por ser uma poderosa inibidora do amor. Quem quer uma criança mimada e exigente como companheira?
Quantas mais exigências façamos mais destruimos o amor: amar é liberdade; desamor é opressão.
Mesmo sem exigências, temos que nos lembrar que a outra parte é um ser humano autônomo, com uma vida própria: deixemos pois suficiente espaço livre para que ela possa viver plenamente essa vida… para que quando venha ter connosco venha pelo prazer de estar conosco e não para cumprir uma "obrigação": acreditem-se que só assim vale a pena.
Tudo isto é também válido no que respeita à amizade.

2 – Tornâmo-nos desinteressantes
Mesmo que não sejamos carentes e portanto não façamos exigências em termos de amor, atenção e/ou afeto, se mesmo assim centrarmos demasiado a nossa vida na outra pessoa acabamos por ficar com uma vida vazia a muitos outros níveis. Ninguém pode colmatar todos os aspectos da nossa vida (embora a nossa "metade perdida" possa certamente colmatar muitos deles).
Como é que alguém poderá gostar de nós se a nossa vida for vazia e desinteressante? Como é que alguém poderá admirar alguém que não vive plenamente e não tenta tirar o melhor da vida e das suas potencialidades em cada ocasião? Como é que se pode amar sem se admirar intensamente a pessoa amada?
Temos o dever para connosco mesmos de viver o melhor que pudermos e soubermos.

3 – Acabamos por nos aborrecer
Se só vivemos em função da nossa “cara metade”, a longo prazo perdemos o entusiasmo, quer pelo vazio em que a nossa própria vida cai, quer porque a outra parte, por mais esforço que faça e mais interesse que tenha, nunca nos pode satisfazer todas as necessidades…
Temos que ser nós mesmos a encarregarmo-nos da nossa felicidade, não podemos depender exclusivamente de alguém, por muito digno que esse alguém seja. Todos nós temos o dever de ter vidas interessantes.
Repito que ninguém pode preencher por inteiro outra pessoa: a vida passa pelo amor entre duas pessoas especiais (e como passa) mas não se esgota de maneira nenhuma nesse amor. Acreditar que sim é destruir o próprio amor, por mais forte que ele seja.


Mas tudo isto leva-nos a outro problema bastante comum (o primeiro problema é pecar por excesso; o segundo é pecar por defeito): há muitas pessoas que põem a sua relação atrás de tudo na vida (ou pelo menos atrás de demasiadas coisas). Não nos iludamos: o verdadeiro amor (tal como a verdadeira amizade) tem que ocupar um lugar de grande destaque nas nossas vidas; não podemos de maneira nenhuma relegá-lo para um lugar secundário.
De fato, uma relação verdadeira de amor (ou amizade) entre duas pessoas especiais precisa de um grande e contínuo investimento, em termos de atenção, sentimento, companheirismo, interesse, diálogo, empatia, cumplicidade, sexo, atividades em comum, furar a rotina, desabafo, entreajuda, presença, preocupação, sedução, carinho, etc... Quando não há esse investimento ou esse investimento é insuficiente, o amor morre à sede…


Concluindo e resumindo, o amor não é tudo na vida mas é algo de extremamente importante.
Quem tem a sorte de o ter, se o quer manter, tem que encontrar o justo equilíbrio: deixar que o amor se torne a única coisa da nossa vida é pecar por excesso; deixar que o amor seja a última das nossas prioridades atrás de carreira, amigos, hobbies, etc. ou não tenha o seu lugar de grande destaque na nossa vida é pecar por defeito.
Qualquer uma destas posturas extremas são fatais para qualquer amor. A verdade reside no caminho do meio: in medio stat virtus.