segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Mental search



I might be moving to the east
to part my ways
And I will try to get something
I don't have yet
If I do, I will look at it
for days and days
Untill I will never forget

I have heard this mental search
has made them all
take a look along the border
Having the urge
For their minds
to be lifted
to something new
I'm running to meet
my higher self

I trust the speed
Untill I have no need
to run anymore

Miles and miles I run

I hear my feet
And I hear myself breathe
heavily

I trust the speed
Untill I have no need
To run anymore

(The Gathering)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Poema à boca fechada

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

(Saramago)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

My life without me


Agora vejo as coisas claramente...
Vejo todas essas vidas emprestadas,
Vozes emprestadas
Gente por toda a parte
Olho para as coisas que eu ia comprar
Agora eu já nem quero comprar
Todas essas coisas nas vitrines brilhantes
Todos os modelos nos catálogos
Todas as cores, as ofertas especiais
As receitas de televisão
Aquele monte de comida gordurosa

Tudo está ali para nos afastar da morte

E não funciona.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Quando eu for uma mulher idosa serei livre


Quando eu for uma mulher idosa,
vou usar a cor roxa,
com um chapéu vermelho que não me fica bem e não me serve.

E gastarei o dinheiro da minha pensão em doces,
revistas em quadrinhos,
e direi que não temos dinheiro para a manteiga.

Vou sentar-me na calçada quando estiver cansada
Passar minha bengala pelas grades dos jardins públicos
E maquilar-me para a sabedoria de minha juventude
Vou sair de chinelos na chuva
E arrancar flores do jardim dos outros
E aprender a cuspir

Penso só:
Você pode usar camisas horríveis e ficar mais gordo
E comer um quilo de salsicha de uma vez
Ou somente pão com margarina durante uma semana
E poderá amontoar canetas, lápis,
suportes para copos e outras coisas em caixas

Mas agora precisamos ter roupas que nos mantenham secos
Pagar nosso aluguel e não praguejar nas ruas
E dar bom exemplo às crianças
Precisamos convidar amigos para o jantar e ler jornais

Mas talvez eu deva praticar um pouco agora
De modo que as pessoas que me conhecem não
fiquem muito chocadas e surpresas
quando eu ficar velha e começar a usar a cor roxa.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Lixo e purpurina


"minha aparência é péssima, a mente e o corpo exaustos. Mas existe uma tranquilidade estranha. Não tenho mais nada a perder. Não sabia que o mundo era assim duro e sujo. Agora sei. Tenho apenas essa consciência, que só a loucura ou uma lavagem cerebral poderiam turvar. sobrevivo todos os dias à morte de mim mesmo. Sinto como uma virilidade correndo no sangue."

Fora da roda


"Fora da roda, montada na minha loucura. Parada pateta ridícula porra-louca solitária venenosa. Pós-tudo, sabe como? Darkérrima, modernésima, puro simulacro. Dá minha jaqueta, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada."

Caio F.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Me perturbava


"Tudo isso me perturbava porque eu pensara até então que, de certa forma, toda minha evolução conduzira lentamente a uma espécie de não-precisar-de-ninguém. Até então aceitara todas as ausências e dizia muitas vezes para os outros que me sentia um pouco como um álbum de retratos. Carregava centenas de fotografias amarelecidas em páginas que folheava detidamente durante a insônia e dentro dos ônibus olhando pelas janelas e nos elevadores de edifícios altos e em todos os lugares onde de repente ficava sozinho comigo mesmo. Virava as páginas lentamente, há muito tempo antes, e não me surpreendia nem me atemorizava pensar que muito tempo depois estaria da mesma forma de mãos dadas com um outro eu amortecido — da mesma forma — revendo antigas fotografias. Mas o que me doía, agora, era um passado próximo. "

Caio F.