segunda-feira, 7 de abril de 2008

Alí era a casa dela



"Aquela casa alí era a casa dela.
Nada, depois que a vi pela primeira vez e ninguém que conheci depois me conseguiu assustar e confundir tanto.
Ninguém que já conheci me fez sentir tão seguro e inseguro, mais importante e mais insignificante..."

Herman Raucher.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Lado alado



"Êstes versos febris que hoje componho
Meus tesouros, e minha consolação
Aonde passam uivos de tufão
E há pedaços de céu claro e risonho.

Os versos doentes dêste coração
Que disseco, analiso e decomponho
Cheio do nervossismo dêste sonho
E cheios da pré-a-mar desta aflição.

Êstes versos . . . Um anjo moreno brando
Ele, não sei onde e nem quando
Dentro do peito há de lhes dar abrigo.

E sómente ele é que há de compreendê-los
E ler-los-a sempre ao meu lado, e ao lê-los
Há de sorrir, e há de chorar comigo. . ."

Ad Eternum


Posto o morto, raso o poço.
Precisei retornar.
E retornei para olhar
o corpo do amor
que não me coube enterrar.

Foi longo o tempo
entre carne e terra
entre terra e ar
palavra e poesia.

Hoje, compreendo o que morre
e o que nunca morrerá.
Posto o morto, raso o poço.
Precisei retornar.
E retornei para olhar
o corpo do amor
que não me coube enterrar.

Foi longo o tempo
entre carne e terra
entre terra e ar

palavra e poesia.

Hoje, compreendo o que morre
e o que nunca morrerá.

Mesmo que acabe


Ele vai mudar;
Vai gostar de coisas que ela nunca imaginou
Pelo jeito não descarta uma nova paixão
Mas espera que ela ligue a qualquer hora
Para conversar, perguntar se é tarde pra ligar
Dizer que pensou nele, que estava com saudade,
Mesmo sem ter esquecido que...

Ela vai mudar;
Escolher um jeito novo de dizer “alô”
Vai ter medo de que um dia ele vá mudar,
Que aprenda a esquecer sua velha paixão
Mas evita ir até o telefone
Para conversar, pois é muito tarde pra ligar
Tem pensado nele, estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido que...


Ela pensa nele;
Ele tem saudade;
Mesmo sem ter esquecido que...
É sempre amor, mesmo que acabe
Com ele aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou...

sábado, 29 de março de 2008


"Quanto mais claro/ Vejo em mim, mais escuro é o que vejo./ Quanto mais compreendo/ Menos me sinto compreendido./ Ó horror paradoxal deste pensar... " Fernando Pessoa

sexta-feira, 28 de março de 2008

Os ombros suportam o mundo


"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação"
(Drummond)