quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Remar junto


"Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou (...). Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia (...). Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar."

Caio Abreu

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pareço contigo
Normal e do avesso
Vamos seguir o caminho seguro
Pra continuarmos assim no futuro

Pareço contigo
Sem mais nem porquê
Vamos seguir nossas pistas
Com toda a incerteza
Pra continuarmos felizes à mesa

Eu dou um valor absurdo na vida
Ela me traz bem mais que alegria
Traz alguém pro meu sozinho
Você às seis e trinta

Pareço contigo
De olhos fechados
Vamos seguir no escuro
Sonhando acordados
Pra nunca deixar nossa luz se apagar

A gente se parece tanto
A gente está só começando
A gente vai se conhecendo
E vê que ainda não sabe nada
A gente só quer ser feliz
Um mundo mais equilibrado
A gente esquece que o amor
É tudo e não nos cobra nada

Eu dou um valor absurdo na vida
Ela me traz bem mais que alegria
Traz alguém pro meu sozinho
Você às seis e trinta

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Não concluo nada

"Você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um diadestes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de pensar em você partir que me fez descobrir tantas coisas"

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O que eu odeio em você


Eu odeio todos os lábios que te beijaram antes de mim
Odeio todos os lençóis que tiveram o seu suor misturado com outros que não o meu
Odeio os sorrisos que outras te arrancaram
Odeio saber que você não foi somente meu a vida inteira
Odeio imaginar que você já amou alguém e que deveriam ter uma música só dos dois,
e mais um monte de outras coisinhas tolas de namorado
Odeio todas as mãos que se entrelaçaram às suas,
e todas as histórias de amor que você viveu das quais eu não era protagonista
Odeio todos os lugares que você frequentou com outras garotas,
e todos os perfumes que elas usavam
Eu sei que é besteira minha, que tudo é passado,
mas eu odeio mesmo assim.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"Se quiser eu piro, e imagino ele de capa de gabardine, chapéu molhado, barba de dois dias, cigarro no canto da boca, bem noir. Mas isso é filme, ele não. Ele é de um jeito que ainda não sei, porque nem vi. Vai olhar direto para mim. Ele vai sentar na minha mesa, me olhar no olho, pegar na minha mão, encostar seu joelho quente na minha coxa fria e dizer: vem comigo. É por ele que eu venho aqui, boy, quase toda noite. Não por você, por outros como você. Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado comigo: um dia encontro."

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Quando te vi

"Daquela caverna sombria a qual observava tudo contra a luz
Via-te flutuar pelo salão principal, deslumbrante e belo.
Ignorando as luzes ofuscantes, via apenas seus olhos brilhando,
no escuro opaco, reluzente luas prateadas em noites de euforia
Seu sorriso derreteu satélites e coração gelado"

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Nascem jardins em minha face

Poderia falar de quando te vi pela primeira vez... sem jeito, de repente te vi assim, como se não fosse ver nunca mais e seria bom que eu não tivesse visto nunca mais, porque de repente vi outra vez e outra e outra, e enquanto eu te via nascia um jardim nas minhas faces. E eu que me resignei tanto, agora quase já não me importo de ser vulgar, não me importa o lugar-comum, dizer o que outros já disseram. Já não tenho mais nada a resguardar.

Adaptado de Caio Abreu.