
C. F.
“Quando morrer, é possível que alguém, ao ler estes descosidos monólogos, leia o que sente sem o saber dizer, que essa coisa tão rara neste mundo - uma alma - se debruce com um pouco de piedade, um pouco de compreensão, em silêncio, sobre o que eu fui ou o que julguei ser. E realize o que eu não pude: conhecer-me”. Florbela Espanca


Gentil, faceiro,
um cavaleiro,
sob sol e sombreado,
seguiu avante,
cantarolante,
em busca do Eldorado.
Mas o andarilho
ficou tão velho,
no âmago assombrado,
por não achar
nenhum lugar
assim como Eldorado.
E, enfim diante
de sombra errante,
parou, quando esgotado
e arguiu-lhe “onde,
sombra, se esconde
a terra de Eldorado?”
“Sobre as montanhas
da lua e entranhas
do Vale Mal-Assombrado,
vá com coragem,”
disse a miragem,
“se procuras o Eldorado”.
Edgar Allan Poe


